Hospital Universitário de Maringá produz protótipos de respiradores artificiais

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O Laboratório de Habilidades do Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM) foi cenário para o teste de dois protótipos de respiradores desenvolvidos por profissionais e alunos de graduação e pós-graduação dos cursos de Medicina e Física da Universidade Estadual de Maringá (UEM) na última sexta-feira, 3.

Os aparelhos desenvolvidos foram feitos sob um olhar interdisciplinar e multiprofissional, que aponta pra várias linhas de pesquisas, que envolveu também profissionais de enfermagem, fisioterapia, ciências biológicas e zootecnia.

O primeiro produto trata-se de um modelo de oxigenador que funciona com modo de ventilação não invasiva, é um “um grande capacete de plástico, utilizado no mundo todo como forma de ventilação em pacientes que não tenham um nível de gravidade tão extremo; já o segundo, de um protótipo de ventilador mecânico, como várias modalidades de ventilação para ser utilizado em pacientes com insuficiência respiratória em Unidade de Terapia Intensiva (UTI)”, explica Edson Arpini Miguel, professor da UEM e um dos responsáveis pelo projeto.

Os aparelhos foram fabricados com um valor muito inferior ao de mercado. O modelo de oxigenador não invasivo foi produzido utilizando recursos e materiais internos. A média de custo no mercado é de 700,00, uma peça que é utilizada apenas uma vez e descartada. O modelo desenvolvido pelos pesquisadores do HUM custou menos de 150,00, sendo que, passando por adequada assepsia, pode ser reutilizável. Quanto ao ventilador mecânico de oscilação, os pesquisadores não souberam mensurar o valor total investido.

“Todos os setores da UEM estão trabalhando no sentido de ajudar no combate da Covid-19. Entramos em um esforço coletivo porque é a função da nossa Universidade dar a resposta que a sociedade está precisando agora”, explica Professor Ivair Aparecido dos Santos, do Departamento de Física da UEM.

Júlio Damasceno, reitor da UEM, lembra que nosso país tem uma grande dependência, quase que exclusiva de outros países, sobretudo da China, para compra de equipamentos, insumos, etc, “o que presenciamos no HUM, é um trabalho em rede que vai auxiliar, já de imediato, as UTI’s neonatais, para crianças e também UTI’s adultas no que diz respeito à área de problemas respiratórias”, conclui Júlio Damasceno, reitor da UEM.

Para Elisabete Mitiko Kobayashi, superintendente do HUM, além do ganho científico o projeto promoveu uma maior integração entre a UEM e HUM. “Temos um aumento do número de casos, o número de leitos já está praticamente esgotados e esse dispositivo ajuda a acelerar o tratamento proporcionando um aumento de oxigênio disponível para esse paciente, além de fazer o seu isolamento evitando a dispersão de aerossóis no ambiente isso permite que mais pacientes sejam internados numa mesma unidade e convivam com segurança”, explica Kobayashi.

Além do produto, algo ainda muito importante é o aprendizado e incorporação de uma cultura de trabalho em rede com foco num problema real, buscando a solução em um conjunto de profissionais que trabalham com foco, voltando a sua competência para a solução de determinado problema. “Estamos formando pessoas, profissionais competentes, na solução de problemas, irrigando uma rede e desenvolvendo o produto. Acho que essa é a nova universidade, a universidade contemporânea e do futuro”, defende Damasceno./ACS/UEM.

 

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